Seus olhos

No bar, noite de um sábado frio, do outro lado do balcão notei você olhando pra mim. Olhando diretamente nos meus olhos com uma certeza que me derreteu.

Há muito tempo eu não sentia alguém de verdade aparecer. O mais comum, relações efêmeras ou virtuais; um like, um comentário, uma mensagem superficial; e você ali, tão real. Materializava beleza e atitude, atiçando cada parte do meu corpo.

Entre um copo e outro, torci pra você se aproximar; não podia parar nos seus olhos, sem contato. Se eles já me desarrumavam, imagina suas mãos encostando nas minhas. Só queria te conhecer, conversar, entrar.

Virei uma tequila e me dirigi à pista; era a minha música. Corria pelas minhas veias a mistura da tequila e a animação por te imaginar, enquanto ouvia a voz do melhor cantor do mundo. Todo aquele momento só pra mim. Fechava os meus e imaginava os seus.

De volta ao balcão, outra rodada de drinks, senti alguém ao meu lado e subiu um frio na espinha. Alguma coisa próxima às borboletas. Que delícia; não te conhecia, mas tinha certeza que gostaria.

Como os olhos, o papo era inspirador. Alguém te contou sobre mim… Impossível você saber exatamente o que dizer. Compenetrada como se estivesse assistindo ao melhor filme exibido nos cinemas, ouvia cada palavra sua. Doce e firme, como suas opiniões.

No quarto copo, meu corpo já amolecia e convidava sua boca a beijar a minha. Por transmissão de pensamento, você percebeu e me beijou. Ah, seu beijo. Preciso de alguns suspiros para descrevê-lo. Exatamente como os olhos, marcante. Me deixei perder em você, e valeu cada rua que eu entrei sem saber.

No final da noite, meu telefone. Sem a certeza que irá me ligar, já agradeço por ter renovado minhas esperanças. Experiências incríveis, de tirar o fôlego, aguardam todos os dias; atrás de um balcão, de um copo, de um papo; mas sem dúvida, de olhos encantadores.

Vivian Rabello

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